Biblioteca Temporal – Review 14 – Frankenstein, por Mary W. Shelley

Biblioteca Temporal – Review 14 – Frankenstein, por Mary W. Shelley

A Biblioteca Temporal da C.A.T.I.A. apresenta, a resenha de um livro que marcou e definiu o gênero de terror, tanto no meio literário quanto no meio cinematográfico: Frankenstein, por Mary W. Shelley.

No mundo da literatura de terror dois livros se destacam por sua prematuridade e pelo seu impacto nesse gênero: 1- Drácula, de Bran Stoker; e 2- Frankenstein, de Mary Shelley. Ambos, por sinal são muito similares por conta dessa prematuridade de “nascimento”. Ambos, também, apresentaram a cultura popular personagens que foram desfigurados até se tornarem irreconhecíveis, sobretudo nas versões cinematográficas de suas estórias. Comecemos essa resenha por uma rápida biografia da autora, Mary Wollstonecraft Shelley.

Mary Wollstonecraft Shelley, nascida em Londres, em 30 de agosto de 1797, mais conhecida por Mary Shelley, foi uma escritora britânica, filha do filósofo William Godwin e da pedagoga e escritora Mary Wollstonecraft. Casou-se com o poeta Percy Bysshe Shelley em 1816, depois do suicídio de sua primeira esposa. Mary Shelley foi autora de contos, dramaturga, ensaísta, biógrafa e escritora de literatura de viagens, mais conhecida por sua novela gótica com toques de ficção-científica “Frankenstein: ou O Moderno Prometeu”, cujo primeiro exemplar saiu em 1818. Ela também editou e promoveu os trabalhos de seu marido, o poeta romântico e filósofo Percy Shelley.

A mãe de Mary morreu quando ela tinha 10 dias de nascida; ela e sua meia-irmã, Fanny Imlay, foram criadas por seu pai. Quando Mary tinha quatro anos, Godwin casou-se com uma vizinha, Mary Jane Clairmont. Godwin deu à sua filha uma rica e informal educação, encorajando-a a aderir às suas teorias políticas liberais. Em 1814, Mary Godwin iniciou um relacionamento amoroso com um dos seguidores políticos de seu pai, o casado Percy Shelley. Junto com a irmã adotiva de Mary, Claire Clairmont, eles partem para a França e viajam pela Europa; uma vez retornando a Inglaterra, Mary fica grávida de Percy.

Durante os próximos dois anos, ela e Percy enfrentam o ostracismo, dívidas e a morte da filha prematura. Eles se casaram em 1816 após o suicídio da primeira mulher de Percy Shelley, Harriet. Em 1816, o casal passou o verão com Lord Byron, John William Polidori, e Claire Clairmont próximos de Genebra, Suíça, onde Mary concebe a ideia de sua novela gótica, “Frankenstein”.

Os Shelleys deixam a Grã-Bretanha em 1818 e vão para a Itália, onde o segundo e o terceiro filhos morrem antes do nascimento de seu último e único sobrevivente filho, Percy Florence. Em 1822, Percy afogou-se quando seu barco afundou durante uma tempestade na Baía de La Spezia. Um ano depois, Mary Shelley retornou a Inglaterra, devotando-se, desde então à educação de seu filho e à carreira como autora profissional.

A última década de sua vida foi marcada pela doença, provavelmente causada pelo tumor cerebral que a iria matar aos 53 anos de idade. Até os anos 1870, Mary Shelley era conhecida principalmente por seus esforços em publicar os trabalhos de Percy Shelley e pela novela Frankenstein, que permanece sendo lida mundialmente e tendo inspirado muitas peças de teatro e adaptações para o cinema. O currículo escolar recente rendeu uma visão mais compreensiva das realizações de Mary Shelley. Estudantes demonstraram mais interesse em sua carreira literária, particularmente suas novelas, que incluem novelas históricas Valperga (1823) e The Fortunes of Perkin Warbeck (1830), a novela apocalíptica The Last Man (1826), e suas últimas duas novelas, Lodore (1835) e Falkner (1837).

Estudos de seus últimos trabalhos conhecidos como o livro de viagem Rambles in Germany and Italy (1844) e os artigos biográficos de Dionysius Lardner’s, Cabinet Cyclopaedia (1829–46) serviram de base e visualização de que Mary Shelley permaneceu uma política radical por toda a vida. O trabalho de Mary Shelley frequentemente discute que essa cooperação e simpatia, particularmente praticada pelas mulheres na família, eram maneiras de se reformar a sociedade civil. Essa visão foi um desafio direto ao caráter romântico individualista promovido por Percy Shelley e as teorias políticas iluministas articuladas por seu pai, William Godwin.

A estória de Frankenstein foca-se em Victor Frankenstein, um rapaz inteligente desde criança. Ele tinha paixão por ciências naturais e estudava tudo sobre o assunto. Depois de muitos anos de estudo, ele resolveu que queria fazer algo que fosse memorável para a humanidade, algo nunca feito antes: construir um ser humano sem utilizar esperma ou óvulos. Para muitos, isso era um sonho impossível, mas não para Victor, ele tinha uma enorme ânsia e vontade para com isso. Durante meses vasculhou cemitérios recolhendo órgãos para realizar sua façanha.
Durante todo o seu projeto, ele afastou-se completamente de sua vida social; família e amigos não tiveram qualquer importância. Após aproximadamente dois anos de um trabalho árduo, Victor finalmente conclui sua criatura, mas assim que ela acorda, ele se assusta com o monstro que criou. Ela era tão horrenda que o único impulso do criador foi ir para longe o mais rápido possível.
Passado este episódio, a criatura começa a atormentar Victor fazendo aparições esporádicas em sua casa.

Certo dia, ela (a criatura) resolve desaparecer e ir para a floresta, onde não tinha dificuldades para encontrar comida e, no meio desta floresta, encontrou uma casa com um celeiro ao lado. A criatura passou muito tempo nesse celeiro observando a família que morava na casa. Com a família, aprendeu a falar, ler, ter sentimentos e ser uma pessoa íntegra. Não apenas um monstro.
Depois de muito tempo observando essa família, a criatura decide falar com o senhor da casa, dizer que o amava e que queria ter uma família para chamar de sua.
O velho se assusta, mas não consegue vê-lo, pois era cego. Porém, ao chegarem em casa, seus filhos vêem aquela cena estranha e acuam o monstro para fora da casa devido à sua tamanha feiúra.
Sentindo-se rejeitado, até mesmo por seu criador, a criatura vai embora do celeiro para começar a matar os entes queridos de Victor, para que assim ele sinta a mesma dor que ele sentia por não ter uma família. O primeiro a ser atacado pelo monstro foi William, o irmão mais novo de Victor. Ao receber uma carta de seu pai, Victor volta à sua terra natal, Genebra, para velar o irmão falecido.

Enquanto passeava pelas montanhas ele encontrou sua criatura, que estava completamente diferente desta vez: muito mais articulada do que quando Victor a abandonou. Ela diz que pretende sair da vida de Victor e de todos os seres humanos, mas com uma única condição: que ele construa uma fêmea para ela. Mesmo muito relutante Victor aceita a condição imposta pelo monstro. Retornando à sua família, ele encontra Elizabeth, uma amiga de infância a qual sempre amou e a pede em casamento. Logo após isso, ele volta com seu amigo Clerval para a Inglaterra e de lá vai para uma ilha onde começa a construir a fêmea para sua criatura, porém assim que começa seu novo projeto, ele resolve cancelá-lo com medo de que assim ele crie uma geração de monstros que assombrem a humanidade. O monstro descobre o descumprimento do acordo e fica tão furioso que mata Clerval.

Victor é incriminado pelo assassinato, mas consegue provar que não foi o autor e assim volta para a sua família em Genebra e mesmo com medo de que o monstro tente matar Elizabeth, eles se casam. No mesmo dia vão para a lua de mel e na noite de núpcias, enquanto Victor sai para vigiar o lugar, o monstro aparece e estrangula a esposa de seu criador. Desolado, Victor volta para casa e conta a notícia ao seu pai, que fica tão chocado que adoece e morre. Sem mais nenhum parente, Victor resolve ir à caça ao monstro. As pistas seguidas o levam ao Pólo Norte quando encontra um navio que o resgata, pois ele se encontrava com uma aparência muito doentia. Victor, mesmo muito fraco, consegue contar sua história ao Capitão do navio e logo depois morre. O Capitão se surpreende ao encontrar a criatura dentro da cabine do navio chorando pela morte de seu criador. Ela promete continuar seguindo ao Norte e de lá não voltar mais, dando paz a todos os seres humanos.

Frankenstein é um romance gótico que aborda as preocupações das perguntas que movem a filosofia “O que é o ser humano?” “o que é a Vida?” e a tentativa de violar o que a sociedade moderna considera o “normal”. O texto preocupa-se com esses aspectos. Porém, mesmo com esses ideais de mudanças, o romance permanece uma parte inevitável do meio em que sua autora, Mary Shelley, viveu. O texto tem uma prosa fluida e uma imaginação surreal, o que assegura ser uma obra que sempre será relida no decorrer dos anos.

Se você ainda não leu essa magnífica obra de Mary Shelley, o que está esperando? Vá lê-la agora.

Por Prof. Barbado

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