Biblioteca Temporal – Review 13 – A Máquina do Tempo, por H. G. Wells

Biblioteca Temporal – Review 13 – A Máquina do Tempo, por H. G. Wells

A Biblioteca Temporal da C.A.T.I.A. apresenta, a resenha de um livro que marcou minha infância e que definiu meu interesse sobre viagem no Tempo: A Máquina do Tempo, por H. G. Wells

A Máquina do Tempo foi um dos primeiros romances do inglês Herbert George Wells, com a sua primeira edição datada de 1895. É considerada um “Romance Científico” e foi um dos primeiros a inverter uma crença muito comum da época, em que o progresso industrial e científico levaria o homem para uma Utopia. Em vez disso Wells nos dá uma Distopia localizada a milhares de anos no futuro, onde duas raças descendentes dos humanos (uma habitando a superfície e a outra os subterrâneos) tem o papel de caçador e presa. Mesmo depois de anos de avanço tecnológicos pela raça humana, num futuro distantes nos transformaremos em apenas “animais”, caçando uns aos outros.

Herbert George Wells, conhecido como H. G. Wells, foi um escritor britânico e membro da Sociedade Fabiana (Socialismo Fabiano, ou Fabianismo), que é um movimento político-social britânico nascido no fim do século XIX. Esta associação foi fundada em Londres em janeiro de 1884 e propunha, como finalidade institucional, a elevação da classe operária para tornar-la apta a assumir o controle dos meios de produção.

Nos seus primeiros romances, descritos como “romances científicos” com o passar do tempo, inventou uma série de temas que foram mais tarde aprofundados por outros escritores de ficção científica, e que entraram na cultura popular em trabalhos como A Máquina do Tempo, O Homem Invisível e A Guerra dos Mundos. Visionário, chegou a discutir em obras do início do século XX questões ainda atuais, como a ameaça de guerra nuclear, o advento de Estado Mundial e a Ética na manipulação de animais.

Ele analisa a dicotomia entre a natureza e a educação e questiona a humanidade em livros como A Ilha do Dr. Moreau. Nem todos os seus romances terminam em feliz Utopia, como mostra o distópico When the Sleeper Awakes. A Ilha do Dr. Moreau ainda é mais sombria. O narrador, após ficar encurralado numa ilha cheia de animais vivissectados (sem sucesso) até se transformarem em seres humanos, acaba por regressar a Inglaterra e, tal como Gulliver no regresso do país dos Houyhnhms, vê-se incapaz de afastar a percepção dos membros da sua própria espécie como bestas só ligeiramente civilizadas, regressando a pouco e pouco à sua natureza animal.

Wells chamava às suas ideias políticas “socialistas”, e com o seu gosto por utopias, olhou inicialmente com bastante simpatia para as tentativas de Lenin de reconstruir a destroçada economia russa, como mostra o seu relato de uma visita ao país (Russia in the Shadows 1920). No entanto, desiludiu-se com a crescente rigidez doutrinária dos Bolcheviques e, após um encontro com Stalin, convenceu-se de que a revolução correra terrivelmente mal. Nisto foi provavelmente mais clarividente do que muitos dos intelectuais do seu tempo.

À medida que envelhecia, Wells foi-se tornando cada vez mais pessimista acerca do futuro da humanidade, como é sugerido pelo título do seu último livro, Mind at the End of its Tether. Os seus últimos livros tendiam a pregar mais do que a contar uma história, e não tinham a energia e inventiva dos trabalhos iniciais.

A estória de “A Máquina do Tempo” descreve um cientista vitoriano que alega ter inventado um dispositivo, uma máquina, capaz de levar seu usuário através do Tempo. Esse cientista, conhecido apenas como “O Viajante do Tempo”, visita um futuro distante chegando ao ano 802.701 d.C., na antiga Londres. Ali ele se depara com as futuras raças humanas, já que nesse futuro distante a raça humana se dividiu em 2 espécies. Na superfície vivem os Eloi, criaturas gentis, infantis, ingênuas, semelhantes à fadas, em harmonia com o ambiente em que vivem. Porém, no subterrâneo, vivem os Morlocks. Os morlocks são caçadores, e constantemente vão à superfície atacar as aldeias dos Elois. Ao situar essa estória em milhões de anos no futuro, Wells ilustra o modelo darwiniano de Seleção Natural, através do avanço lento da mudança das espécies, mundo físico e sistema solar.

Esse romance científico é uma alegoria de classes, assim como uma parábola científica, na qual duas sociedades da época do próprio Wells (as classes superiores e as “ordens inferiores”) são reciradas como seres igualemnte “degenerados”, embora de forma diferente. “Degeneração” [e a Evolução ao contrário, enquanto a visão distópica de Herbert em A Máquina do Tempo é um desmascaramento deliberado das ficções utópicas do fim do século XIX, em especial a obra de William Morris: “Notícias de Lugar Nenhum”. Enquanto Morris descrever uma utópica sociedade pastoral e socialista, Wells descrever, em seu mundo futuro, que a luta humana está fadada ao fracasso e a degeneração.

A Máquina do Tempo, assim como A Guerra dos Mundos, são os principais romances científicos de Wells, que ganharam adaptações diferentes por várias décadas. Filmes, peças teatrais e releituras em outras mídias (como Histórias em Quadrinhos) são as mais comuns principalmente para “A Máquina do Tempo”.

Se você ainda não leu o livro, ou viu os filmes da década de 1950 ou o de 2002, veja, pois essa história distópica merece nossa atenção.

Por: Prof. Barbado

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