Cabine Histórica: Viagem ao passado do dia 18 de Outubro – Roquette Pinto!

Cabine Histórica: Viagem ao passado do dia 18 de Outubro – Roquette Pinto!

Cabine histórica é a nossa viagem com a C.A.T.I.A aos fatos históricos da humanidade e por toda a linha temporal,hoje viajamos para:

O dia 18 de outubro de 1954 quando falecia após uma vida dedicada a construção e ao desenvolvimento do Brasil: Edgard Roquette-Pinto, o precursor da radiodifusão brasileira praticamente a pré-história do podcast Brasileiro!

O Profesor Edgard Roquette Pinto é considerado um dos mais acreditados cientistas e intelectuais do Brasil; possuía vários títulos, mas o que mais gostava e o envaidecia era o de professor. Antropólogo, etnólogo, médico, poeta e compositor, ele foi essencialmente um educador. Encantava no homem, de início, a simplicidade no trato e a humildade de quem era, sem dúvida, um dos maiores vultos do país. Nasceu no Rio de Janeiro, a 25 de setembro de 1884, na rua Voluntários da Pátria, em Botafogo e morreu na mesma cidade, a 18 de outubro de 1954, num pequeno apartamento do Edifício São Miguel, em Copacabana, onde, por muitos anos teve por vizinho seu colega da Academia Brasileira de Letras e grande amigo Manuel Bandeira (Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho).

Seu pai era Manuel Menélio Pinto, de tradicional família dos Vieira de Mello, de Pernambuco, cujo primo, Alfredo Pinto, foi Ministro da Justiça no governo Epitácio Pessoa. Sua mãe, Josefina Roquette Carneiro de Mendonça, pertencia a uma família de velha cepa mineira de Paracatu, ligada aos Mello Franco e Baptista Franco. Roquette Pinto foi criado numa fazenda, próxima de Juiz de Fora, denominada “Bela Fama”, pertencente ao seu avô materno, João Roquette Carneiro de Mendonça. Até completar 10 anos de idade, o menino Edgard gozou as delícias de um convívio estreito com a natureza. Depois, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou a mocidade. Morava na Rua Vila Rica, nº. 13, perto do Cemitério São João Baptista, junto ao Túnel Velho, em Botafogo.

Fez seu curso de medicina na Faculdade do Rio de Janeiro, onde foi aluno brilhante, o mais moço de sua turma (tinha 21 anos quando se bacharelou). Sua tese de formatura, em 1905, foi O Estudo da Medicina entre os Indígenas da América. Casou-se com Risa Baptista, com quem teve dois filhos: Maria Beatriz e Paulo Roquette Pinto. Em 1915, prestou concurso para Livre-Docente de História Natural, na Faculdade de Medicina, com o trabalho sobre Dinoponera Grandis, a formiga amazônica. Começou sua carreira de médico como assistente de seu sogro, o Professor Henrique Baptista, um dos maiores nomes da medicina de sua época e que foi, segundo palavras de Roquette Pinto, uma das personalidades que mais marcaram sua vida. De formação positivista, o Professor Henrique Baptista legaria a Roquette Pinto a filosofia de Augusto Comte.

Em 1908, com o trabalho Fauna Cadavérica do Rio de Janeiro, Roquette Pinto foi nomeado médico legista do antigo Distrito Federal. Vitorioso na carreira e já possuindo, com o Doutor Demócrito Linhares, um laboratório de análises clínicas, resolveu, no entanto, tudo largar e prestar concurso para a cadeira de Professor de Antropologia do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Ao terminar sua prova oral, foi vivamente aplaudido, inclusive pela banca examinadora. De volta de uma excursão ao litoral e região das lagoas do Rio Grande do Sul, em 1910, trouxe um trabalho intitulado Estudo sobre os Sambaquis, e organizou a Sala Pedro II do Museu Nacional do Rio de Janeiro.

No ano seguinte, foi designado Delegado Brasileiro junto ao Congresso das Raças, em Londres. Voltando ao Brasil, resolveu em 1912 partir para o interior de Mato Grosso, numa das comissões Rondon, em companhia do grande sertanista que foi o Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, embrenhando-se nas selvas da Serra do Norte, onde manteve íntimo contato com os índios Nhambiquaras, sobre os quais recolheu farto material, como vocabulário e croquis, fichas antropométricas, filmes cinematográficos (aliás, Roquette Pinto foi o pioneiro das tomadas fisionômicas em close dos indígenas), fonogramas e material etnográfico. Pouco depois de assim reunir um acervo valiosissímo, lançou aquela que seria sua maior obra: Rondônia, uma das mais notáveis contribuições à etnologia brasileira.

Emotivo, sensível e vibrante como era, o Professora Edgard Roquette Pinto não poderia deixar de sentir a beleza dos seres e das coisas. Em vários capítulos de Rondônia sente-se uma verdadeira poesia em prosa: daí escrever ele vários versos, entre os quais Profissão de Fé. Roquette Pinto afirmava sempre a amigos e familiares: “- Não sou poeta, mas gosto que me chamem de poeta”. Compunha música também, e entre as várias que compôs, em diferentes fases da vida, destacamos “Ave Maria”, que dedicou à sua filha Maria Beatriz no dia do seu nascimento.

Em 1923, fundou a Sociedade Rádio do Rio de Janeiro PRA-2. Em 1927, a PRD-5 Rádio Escola Municipal, da Prefeitura do Rio de Janeiro, porteriormente Rádio Roquette Pinto. A Rádio Sociedade era uma instituição puramente educativa e, não querendo transformá-la num veículo comercial, Roquette Pinto, mediante carta, resolveu doá-la ao Ministério da Educação e Cultura. O então Ministro da Educação, Gustavo Capanema, em nome do Presidente Getúlio Vargas, agradeceu e informou que a emissora e seu competente canal seriam incorporados ao DIP – Departamento de Imprensa e Propaganda. Em vista disso, o Professor Roquette Pinto escreveu outra carta ao Dr. Capanema, explicando que a rádio não estava sendo entregue ao governo brasileiro, mas sim à educação do Brasil. Após as necessárias explicações, o governo concordou com as exigências do Professor Edgard Roquette Pinto e, a 7 de setembro de 1936, a PRA-2 foi entregue solenemente ao Ministério da Educação e Cultura. O Professor Roquette Pinto, emocionado, pronunciou as seguintes palavras: “- Entrego esta Rádio com a mesma emoção com que se casa uma filha”.

Em 1936, Roquette Pinto convidou Humberto Mauro para dirigir os filmes cujos roteiros, gravações e textos ele próprio organizava, e juntos fundaram o Instituto Nacional do Cinema Educativo, que dirigiu até 1947. Durante esse período, orientou a parte histórica do filme O Descobrimento do Brasil (1937),  cuja trilha sonora foi produzida pelo Maestro e Compositor Heitor Villa-Lobos, a seu convite. Dirigiu e gravou pessoalmente o comentário sobre arte marajoara do filme Argila (1940). Foi membro da Academia Brasileira de Letras (cadeira nº. 17), do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Brasileira de Ciências. Para o Professor Edgard Roquette Pinto, o grande problema brasileiro era a coordenação de seus valores, como a educação do povo, a nacionalização da economia, a circulação das riquezas e a política de povoamento sem preconceitos raciais.

Foi ainda membro fundador do Partido Socialista Brasileiro. Para melhor definirmos a figura do Professor Edgard Roquette Pinto, transcreveremos a sua Profissão de Fé, escrita no dia 4 de julho de 1935:

“- Creio que o homem e a natureza são exclusivamente governados por leis imutáveis, superiores a quaisquer vontades;
– Creio que a ciência integrando o homem no universo, criou em sua mentalidade ao mesmo tempo uma infinita modéstia e uma sublime simpatia para com todos os seres;
– Creio que a ciência, mostrando ao homem como o ódio e o amor são condicionados pelas reações do seu cérebro, deu-lhe a posse de si mesmo, permitindo que ele se transforme e se aperfeiçoe à custa das suas próprias forças;
– Creio que, ao lao das grandes forças egoístas que vivem no coração dos homens, jazem ali tesouros imensos de altruísmo e fraternidade que a vida em comum há de fazer desabrochar cada vez mais;
– Creio que a ordem material deve ser mantida, mormente no interesse das mulheres, que são a melhor parte de todas as Pátrias, e das crianças, que são a Pátria do futuro;
– Creio que no estado de inquietação do Mundo Moderno só há um meio de manter a ordem material: é garantir a mais ampla, absoluta e definitiva liberdade espiritual;
– Creio cegamente no postulado de Fritz Müller: o pensamento deve ser livre como a respiração.”

Edgard Roquette Pinto morreu, aos 70 anos de idade, no dia 18 de outubro de 1954, no Edifício São Miguel, na Avenida Atlântica, no Rio de Janeiro, trabalhando, produzindo, ensinando, educando… A morte o surpreendeu batendo em sua máquina de escrever um artigo que não chegou a concluir: “Aquele que conhece, aquele que cria, aquele que ama…” Deixou pronto para ser publicado um volume de poesias que sua filha, Maria Beatriz Roquette Bojunga, não deseja publicar.

O Professor Edgard Roquette Pinto recebeu as seguintes condecorações:
– Insígnia da Estrela Polar, da Suécia;
– Leão Branco, da Tchecoslováquia;
– Águia-Azteca, do México;
– Grande Medalha de Goethe, da Alemanha;
– Legião de Honra, da França.

Concluindo, a figura de Edgard Roquette Pinto perdurará como um exemplo, pois serviu exclusivamente aos valores espirituais em que acreditou desde sua juventude. À medida que ele evoluiu, mais se cristalizou em seu pensamento a importância desses valores, aos quais mais se dedicou, desprendendo-se, por isso mesmo, dos valores materiais e humanos, que desapareceram do seu mundo.

Sua vida teve o melhor sentido: o do aperfeiçoamente humano, e

– em nome desse ideal

– não usufruiu as vantagens do comodismo ou do oportunismo.

São de Edgard Roquette Pinto as colocações aqui transcritas:

“- Pela cultura dos que vivem em nossa terra, pelo progresso do Brasil.”
“- O Brasil não é um terreno baldio, um campo sem dono, aguardando energias estranhas…”
“- Nós que assistimos à aurora do rádio, sentimos o que deveriam ter sentido alguns dos que conseguiram possuir e ler os primeiros livros.”
– “O rádio é o jornal de quem não sabe ler; é o mestre de quem não pode ir à escola; é o divertimento gratuito do pobre; é o animador de novas esperanças; o consolador dos enfermos; o guia dos sãos, desde que o realizem com espírito altruísta e elevado.”

Bibliografia: Histórias Que O Rádio Não Contou, de Reynaldo C. Tavares, Editora Harbra, 1999.

Saiba mais sobre Roquette Pinto no documentário abaixo:

Veja mais fatos históricos nesse dia:

1862 – Bartolomé Mitre nomeia a primeira Corte Suprema da Justiça argentina.
1867 – O Alasca é formalmente transferido da Rússia para os Estados Unidos. A bandeira norte-americana é erguida sobre o novo território.
1892 – Inaugurada a primeira linha telefônica interurbana, entre Nova York e Chicago.
1899 – Inicia a “Guerra dos mil dias”, na Colômbia. Ela terminaria em 21 de novembro de 1902.
1911 – Morre Alfred Binet, psicólogo francês que inventou o teste de inteligência.
1912 – Inicia a primeira guerra dos Bálcãs, que representaram as disputas pelos últimos territórios do império Turco-Otomano.
1922 – Inaugurada a BBC, British Broadcasting Corporation.
1926 – Nasce o cantor Chuck Berry.
1929 – Nasce Violeta Barrios de Chamorro, política nicaragüense.
1931 – O inventor Thomas Edison, o pai da luz elétrica, morre aos 84 anos nos Estados Unidos.
1942 – Nasce Isabel Allende, escritora chilena.
1944 – Josip Broz Tito é reconhecido como chefe do governo iugoslavo. Governou a Iugoslávia comunista de 1945 a 1980.
1944 – Um ciclone arrasa o México e provoca a morte de pelo menos 500 pessoas.
1945 – Tropas soviéticas ocupam a Tchecoslováquia depois da derrota nazista na Segunda Guerra Mundial.
1949 – Duas semanas de chuvas torrenciais matam mil pessoas na Guatemala.
1956 – Nasce Martina Navratilova, tenista tcheca naturalizada norte-americana.
1959 – A estação soviética Lunik III transmite fotografias da face oculta da Lua.
1967 – A nave soviética Venera 4 transmite informações para a Terra a partir da atmosfera de Vênus.
1968 – O Governo brasileiro autoriza a construção da ponte Rio-Niterói.
1977 – A polícia alemã invade um avião da Lufthansa, no aeroporto de Mogadishu, e mata três seqüestradores. Os 86 passageiros, que ficaram cinco dias como reféns, são libertados.
1979 – O enxadrista brasileiro Jaime Sunyê Neto ganha o título de Mestre Internacional de Xadrez.
1981 – O cirurgião plástico Hosmany Ramos, preso no Rio de Janeiro sob acusação de contrabando e tráfico de drogas, consegue fugir da cadeia.
1984 – Argentina e Chile assinam acordo no Vaticano, no qual colocam fim a disputa histórica sobre o Canal de Beagle.
1984 – Encontrado em Nairóbi, no Quênia, esqueleto humano de 1,6 milhão de anos.
1988 – Cinco pessoas morrem e cerca de cinco mil ficam feridas na Colômbia, na passagem do furacão Joana. Ele também foi responsável pela morte de outras 50 pessoas na Nicarágua.
1991 – Israel e URSS voltam a ter relações diplomáticas, interrompidas em 1967 na Guerra dos Seis Dias.
2001 – Quatro acusados são sentenciados à prisão perpétua por participarem nos atentados às embaixadas dos Estados Unidos na Tanzânia e no Quênia, em 1998, nos quais 224 pessoas morreram e mais de cinco mil ficaram feridas

Fonte:

Redação Terra

History Channel

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