Cabine Histórica: Viagem ao passado do dia 12 de Julho – O banco de sangue!

Cabine Histórica: Viagem ao passado do dia 12 de Julho – O banco de sangue!

Cabine histórica é a nossa viagem com a C.A.T.I.A aos fatos históricos da humanidade e por toda a linha temporal,hoje viajamos para:

O dia 12 de Julho de 1949 quando médico espanhol Frederic Durán foi quem fundou o primeiro banco de sangue da história.O mesmo foi o inventor desse sistema pioneiro e moderno para a transfusão e a conservação do plasma sanguíneo. Especificamente, o Dr. Duram foi o criador do primeiro banco de sangue e o pai da transfusão moderna.

Precursor da promoção da doação de sangue, envolvendo a coleta, tanto no próprio centro como em fábricas e povoados, os estudos analíticos do produto obtido, a preparação deste de uma forma fácil, o armazenamento, o transporte até a cama do doente e o ato da transfusão. Todo isso, acompanhado da fabricação e esterilização das embalagens e as equipes de transfusão, isto é, um processo completo como o que hoje em dia realizam os bancos de sangue modernos. Não dispunha de maquinário nem tecnologia avançada, mas já estava preocupado com a esterilização, o sistema de lacre, a dosagem correta, a temperatura de armazenamento e a oxigenação dos glóbulos vermelhos, por isso sempre tentava trabalhar com o conceito de qualidade em todas as fases do processo.

“Sangue de barata”, “sangue frio”, “sangue azul”, “sangue bom”,”o sangue subiu à cabeça” … e por aí vai. Estas e outras expressões refletem a forte carga de magia, de fascínio e até de medo ligada ao sangue, ideias que integram as mais diferentes culturas e religiões e perduram, em muitos casos, até os dias de hoje.

As tentativas de se usar o sangue para curar doenças vêm desde a pré-história. Durante muitos séculos, no entanto, os resultados foram totalmente infrutíferos, sendo que as primeiras transfusões, que datam de meados do século XVII, eram quase sempre feitas com sangue de animais.

A transfusão é classicamente dividida em três períodos: a era pré-histórica, que vai até a descoberta da circulação sanguinea pelo médico britânico William Harvey, no início do século XVII. O segundo, o período pré-científico, vai de 1616, ano da descoberta da circulação, até o início do século XX, quando o pesquisador austríaco Landsteiner descobre o grupo sanguineo ABO. O terceiro período – chamado científico – começa com a descoberta de Landsteiner, chegando até os dias atuais.

Já no período científico, a falta de soluções anticoagulantes que permitissem a estocagem do sangue coletado de doadores condicionava a transfusão a ser feita braço a braço. As pesquisas prosseguem e, entre as duas guerras mundiais, desenvolve-se a solução anticoagulante à base de citrato de sódio. Com isto, abre-se a possibilidade da existência de bancos de sangue como são conhecidos atualmente.

A primeira transfusão de sangue coletado e estocado em garrafas de vidro ocorreu durante a guerra civil espanhola, em 1939: um médico da cidade de Toulouse, na França, organiza uma rede de doadores de sangue, simpatizantes da causa dos rebeldes que lutavam contra os fascistas comandados pelo general Franco. Com a eclosão da II Guerra Mundial, surgem os primeiros bancos de sangue e a transfusão generaliza-se e torna-se rotina na prática médica, sendo decisiva para salvar a vida de civis e militares feridos. A guerra, aliás, é o que serve de motivação e estímulo para as primeiras campanhas de doação de sangue. Desde os primórdios, o sistema de doação de sangue alicerça-se na doação altruísta e não remunerada, contando com a solidariedade e benevolência dos cidadãos.

Brasil

“No Brasil, os cirurgiões foram os primeiros nesta prática, mas o melhor relato desta época (por volta de 1910) é de um professor de Clínica Médica de Salvador, Garcez Fróes, que através de um Aparelho de Agote, improvisado por ele, realiza uma transfusão de 129 ml de sangue de um servente do hospital para uma paciente  com metrorragia importante por pólipo uterino. Na década de 40, a hemoterapia começa a ser vista como especialidade médica e vários “bancos de sangue” foram inaugurados em diversas capitais brasileiras . O primeiro “banco de sangue” público foi criado na cidade de Porto Alegre, em 1941; em seguida, foi o do Rio de Janeiro, sendo o terceiro inaugurado em 1942, em Recife”. (Cláudia M.F.Ribeiro – A hemoterapia no Brasil até 1980 e a criação dos hemocentros públicos nacionais).

Ao contrário da Europa, o sistema transfusional brasileiro baseava-se na doação remunerada: doadores dos bancos de sangue públicos e privados recebiam pagamento. A prática favorece a proliferação dos bancos de sangue privados que traz, em seu bojo, o recrutamento de pessoas doentes, alcoólatras, mendigos e anêmicos. Contra ela, insurge-se a Associação de Doadores Voluntários de Sangue (ADVS), dirigida por Carlota Osório – uma incansável batalhadora da causa pela doação não remunerada e da distribuição gratuita de sangue pelo Estado para quem precisasse.

Em outubro de 1964, por determinação do então presidente da República, marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, institui-se no Ministério da Saúde a Comissão Nacional de Hemoterapia (CNH) que estabelece a Política Nacional de Sangue. A Comissão, extinta em 1976, deveria organizar a distribuição do sangue, a doação voluntária, a proteção ao doador e ao receptor, o disciplinamento da atividade industrial, o incentivo à pesquisa e o estímulo à formação de recursos humanos.

Outro fator atesta a precariedade do Brasil na área: em 1969, a Organização Mundial de Saúde (OMS), preocupada com a situação da hemoterapia em todo o mundo, envia ao Brasil o professor francês Pierre Cazal para avaliar o quadro nacional. Cazal visita São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Salvador e elabora relatório onde faz as seguintes observações: doações remuneradas e sem critério; comercialização do plasma ( exportação); doador inapto sem assistência; sorologia precária; transfusões sem critérios médicos; predominância de utilização de sangue total; falta de coordenação; carência de recursos humanos.

Em 1980, cria-se o Programa Nacional de Sangue e Hemocomponentes (Pró-Sangue) com a finalidade de regularizar a situação da hemoterapia brasileira. Surgem os Centros de Hematologia e Hemoterapia – os hemocentros. Entre os muitos desafios, o de implantar a doação sistemática de sangue, pondo fim à doação remunerada.

E aí, a Fundação Hemominas,o 13º hemocentro a ser criado no país, entra na história.

“Salvem o sangue do povo brasileiro”

O surgimento da Aids, na década de 80, transforma radicalmente o panorama da hemoterapia brasileira: o elevado número de casos de contaminação pelo HIV por meio de transfusão provoca o clamor da opinião pública, culminando na proibição definitiva da doação remunerada. A Constituição de 1988 inclui o artigo 199, proibindo toda e qualquer forma de comercialização do sangue ou de seus derivados, luta liderada pelo cartunista e escritor mineiro Henfil, que cunha, com o irmão Betinho, o mote que empolga a opinião pública: “Salvem o sangue do povo brasileiro”. Henfil, que era hemofílico e, como tal, politransfundido, acabou morrendo de Aids em 1989. A Lei Federal n.° 10.205, promulgada em março de 2001, regulamenta o parágrafo 4 do artigo 199.

Fontes:
Textos de Apoio em Hemoterapia:volume 1 / Organizado pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (Hemoterapia: uma abordagem histórica e social – Luiz Amorim Filho)
Fundação Hemominas 1985 – 2007: à Guisa de uma introdução: um pouco da história da hemoterapia no mundo e no Brasil – Marco Antônio de Souza); A hemoterapia no Brasil até 1980 e a criação dos hemocentros públicos nacionais – Cláudia M.F.Ribeiro.
Veja mais fatos históricos nesse dia:

1537 – Batalha de Abancay, no Peru: as tropas de Diego Almagro vencem as de Pizarro, comandadas por Alfonso de Alvarado.
1806 – Napoleão cria a Confederação do Rhin, aceita pelos príncipes alemães.
1876 – Nasce Max Jacob, escritor francês.
1878 – Tropas inglesas ocupam a ilha de Chipre, cedida pela Turquia, que reservou os direitos soberanos sobre a Ilha.
1884 – Nasce Amadeo Modigliani, pintor italiano.
1885 – No Estado de Barranquilla (Colômbia), os rebeldes da insurreição iniciada em 28 de fevereiro do mesmo ano são derrotados.
1894 – Terremoto em Istambul, que deixa numerosas vítimas e afeta a maior parte dos edifícios da cidade.
1902 – Na Alemanha, o processo de fabricação dos ácidos chamados barbitúricos é patenteado.
1904 – Nasce Pablo Neruda, poeta chileno, Prêmio Nobel de Literatura em 1971.
1914 – Fracassa a tentativa de assassinato contra Rasputín, aventureiro russo de grande influência na corte czarista.
1920 – Na Bolívia, uma revolução derruba o presidente liberal José Gutiérrez Guerra.
1920 – Inauguração oficial do Canal do Panamá.
1924 – As tropas de ocupação norte-americanas se retiram da República Dominicana após a eleição do presidente Horacio Vázquez.
1937 – Três aviadores russos fazem um vôo sem escalas desde Moscou até a cidade de São Jacinto (Califórnia), atravessando o Pólo Norte.
1944 – O acampamento de Auschwitz-Birkenau, onde havia 12,5 mil judeus (4 mil assassinados na câmara de gás) é desmontado.
1947 – Conferência internacional em Paris para concretizar o plano de ajuda dos Estados Unidos para a reconstrução da Europa (Plano Marshall).
1948 – Os 375 mil prisioneiros alemães em campos ingleses no Oriente Médio são liberados.
1957 – Com a morte de seu avô, o príncipe Karim, estudante de 20 anos da Universidade de Havard, converte-se em Aga Khan, líder de 20 milhões de mulçumanos.
1960 – Fracassa uma revolta na província argentina de San Luis, encabeçada pelo general Giovannoni.
1971 – A Alemanha Ocidental reconhece a Alemanha Oriental.
1973 – Pilotos norte-americanos realizam violentos ataques aéreos contra rebeldes cambojanos.
1977 – O presidente americano Jimmy Carter se pronuncia em favor do desenvolvimento das bombas de nêutron, devido a seus Redação Terraitos menos destrutivos.
1980 – Pelé é escolhido o esportista do século.
1987 – R. Branson e P. Lindstram realizam com êxito a travessia do Atlântico Norte a bordo do balão Virgin, após duas tentativas fracassadas.
1989 – A chapa Fernando Collor e Itamar Franco é lançada para a sucessão do presidente José Sarney durante convenção do PRN.
1990 – Violeta Chamorro e sandinistas chegam a um acordo para pôr fim à greve geral de 85 mil empregados do Estado.
1990 – O jornalista João Saldanha morre em Roma durante cobertura da Copa do Mundo.
1993 – Um terremoto deixa mais de 200 mortos em Hokaido, no Japão.
1996 – O Palácio de Buckingham anuncia o acordo de divórcio dos Príncipes de Gales, Charles e Diana.
1997 – Fim no Panamá da 19ª Cúpula de presidentes da América Central, com o acordo de modernizar o sistema de integração da zona e realizar um tratado de livre comércio.
1998 – A França ganha a Copa do Mundo de Futebol.
1998 – Três crianças católicas morrem queimadas em um ataque sectário na Irlanda do Norte.
1999 – A OMC autoriza os Estados Unidos e o Canadá a impor sanções à União Européia por sua negativa em importar carne de gado tratada com hormônios.
2000 – Diversos chRedação Terras de Estado aprovam a criação da União Africana.

Fonte:

Redação Terra

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