Cabine Nostálgica: Constructor

Cabine Nostálgica: Constructor

Depois de um longo período de férias, estou de volta!

Hoje vou escrever sobre um dos melhores jogos que já joguei na vida. Esse aqui é um dos meus favoritos, dentro jogos de PC e de Console. Eu conheci em uma antiga revista, que vinha uma penca de jogos demo. Lembram daquelas Big Max da vida? Então…eu comprava uma que vinha 99 jogos demos e eu achava aquilo um máximo.

De tanto gastar dinheiro nessas porcarias, consegui ter contato com muitos jogos e o jogo de hoje foi um desses. Eu lembro que eu gostei tanto desse jogo, quando era criança, que quando peguei emprestado, a mãe do menino teve que me ligar pra eu devolvê-lo. Eu ficava insistindo só mais um dia, até eu conseguir terminar. E o pior, eu nunca consegui termina-lo!

O ano é de 1997 e a Acclaim (uma empresa com games bem chatinhos, diga-se de passagem) se juntou com a System 3 para lançar um jogo de estratégia de PC. Esse game seria sério na jogabilidade porém, super divertido e cheio de piadas em seu enredo. Os jogos de estratégia estavam em seu auge com jogos como Warcraft II, Age of Empires, e Command & Conquer: Red Alert .

Na verdade, eles foram genais em fazer um jogo meio termo entre os jogos acima citados e os jogos como SimCity e Theme Hospital. Não havia guerra, mas você tinha que administrar muito bem seus recursos e construir o seu “vilarejo” em:

caixa

Cosntructor

 

 

Bonito, divertido, dificílimo, inteligente e com ótimos efeitos sonoros. É assim (de maneira totalmente “imparcial”) que eu posso descrever esse game.

 

Constructor veio com um propósito bem diferente, no ápice de um estilo de jogos que estava dominando o mercado dos games. Uma das maiores frustrações da minha vida gamer é não ter jogado isso contra alguém. Podia-se jogar até 4 players ao mesmo tempo, via IP ou Lan House porém, eu nunca encontrei três pessoas que jogasse isso, na época.

 

Bom depois de elogiar e contar historinha, o que esse jogo tinha demais? Primeiro de tudo, a proposta. Pense em um jogo que você tem que saber construir coisas pontuais, como em Warcraft II e o Age of Empires e, ao mesmo tempo, saber administrar recursos, colocar taxas e construir apenas uma cidade, como em Sim City. Em Constructor, não há batalhas e exércitos como em Wacraft porém, há um grupo de cidadãos indesejados que você pode mandar para atazanar a vizinhança do seu inimigo. O objetivo não é matar (por mais que algumas vezes precisemos utilizar a força bruta) e sim fazer o outro falir.

 

A ideia não é construir uma grande cidade/megalópole como em Sim City. Na verdade o jogador estava na pele de uma empresa de construção e tínhamos que construir tudo quanto é tipo de casa, para fazer nossa empresa lucrar…mas não era tão simples. O jogo chega a ser tão complicado como o outro que eu já escrevi aqui, o Settlers.

 

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Primeiro menu do jogo

 

 

O game começava com o player escolhendo a modalidade de jogo. Tinha o modo por tempo, por dinheiro ou apenas construir até não poder mais. No fundo, todas as modelidades eram iguais com o propósito de ganhar dinheiro e quebrar a construtora do PC.

 

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Gráficos simpáticos e bonitos

 

 

Quando a partida se inicia, o jogador se deparava com algo bem comum nesse tipo de jogo: um menu, um mapa, informações sobre dinheiro, dia e mês. Nos botões à direita o player teria todos os dados que precisava: número de trabalhadores, construções, prefeitura, polícia, finanças e número de construções já feitas. O construtor começava com alguns personagens:

 

Peão: Era a mão de obra, o responsável por fazer o trabalho braçal. Os peões (chamados de trabalhadores no jogo) são quem constrói e trabalham em fábricas. Eles também poderiam ser utilizados para “atacar” um peão inimigo ou tomar uma construção do concorrente.

 

Capataz: Seria o mestre de obras! Era necessário um capataz e um grupo de 1 até 5 empregados para construir qualquer tipo de estrutura. Quanto mais empregados o capataz tinha, mais rápido a construção se ergueria.

 

Reparador: Ele ficava andando pelo bairro, reparando as casas. Todas as casas precisavam de conserto preventivo. Sem ele, tudo explode!

 

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Menu de trabalhadores

 

 

Existe um outro ramo de personagens que também são básicos em Constructor:

Os inquilinos. Isso aqui é o grande diferencial do jogo. Cada vez que você constrói uma casa, deve colocar um inquilino dentro dela. Os inquilinos tinham níveis e eu vou explicar conforme o texto vai rolando.  Você começava com um numero X de inquilinos nível 1.

 

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Menu de construções

 

 

Constructor não fugiu do “clichê” dos jogos de estratégia: começa com uma baixa produção e bens de base, vai evoluindo, até chegar nas construções mais avançadas. Nós começávamos com apenas uma fábrica de madeira. O jogador,deveria enviar alguns trabalhadores desocupados para produzir madeira. Com a madeira em caixa, podíamos construir um dos três barracos disponíveis. Esses barracos só dependiam de madeira, porém tinham tamanhos diferentes.

 

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Em cada casa construída, temos que escolher muito bem cada inquilino

 

Após escolher o barraco (essa escolha serve para casas de todos os tipos, são 5 níveis da casas ao todo) o jogador deveria escolher o inquilino que queria colocar. Pegaríamos então um inquilino nível 1, para uma casa nível 1. Cada inquilino teria uma peculiaridade: um seria bom em reproduzir e outro seria bom em pagar. Também havia os skills de stress, vida e danos. O stress seria o nível de chatísse do inquilino, vida seria os anos de vida e o danos seria os danos que os inquilinos fariam na casa, caso sejam despejados. No canto da tela também mostrava que tipo de pessoa o inquilino teria de filho. No caso dos level 1, poderia ter mais trabalhadores e mais inquilinos nível 1.

 

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O inquilino poderia pagar aluguel ou reproduzir!

 

Bom esse é o básico do jogo! Tinhamos que administrar muito bem quais casas, com quais inquilinos, se valeria mais a pena pagar aluguel ( para termos renda para construir mais) ou reproduzir inquilinos ou trabalhadores.

 

Agora que o jogo começa a ficar muito interessante. Depois de ter as primeiras casas de madeira pronta (tínhamos que construir pelo menos uma de cada) o jogo libera inúmeras outras construções e uma fábrica de cimento. Isso vai ocorrer com as duas outras fábricas também: de tijolos e de aço. Cada fábrica libera novas construções, bem melhores, de níveis superiores.

 

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Qualquer problema que não solucionássemos, o inquilino ia reclamar direto na prefeitura!

 

 

Outra coisa, os inquilinos eram chatos. Aliás, quem gostaria de morar do lado de uma fábrica, por exemplo? Qualquer problema que tivessem, escreviam uma carta formal, dando um prazo para resolvermos. Esses problemas iam desde baratas, barulho, vizinhos chatos, cerca que colocamos na casa, baratas, enfim. O pior de tudo, é que você só podia ter 100 borrões pretos de reclamação! Se alcançar os 100, game over! Cada tipo de reclamação tem um numero de borrões.  Isso é bem fácil de administrar quando se tem 6,7 casas. Quando estamos com uma cidade grande, com 20 casas, vira o caos!

 

O jogador também era responsável em “aumentar” o nível dos inquilinos. Tínhamos que instalar geringonças, tecnologia (tem uma fábrica dessas coisas) ou reformar cômodos das casas, para um inquilino level 1, por exemplo, poder gerar um filho level 2. O interessante é que toda vez que subimos os níveis dos inquilinos, se mudava o tipo de filho que a família poderiam gerar, como policias e gangsters.

 

No meio desse caos, construções, fábricas, inquilinos reclamando, brigas de casal e administração de recursos e pessoas, ainda vem à parte mais divertida do jogo: os indesejáveis.

 

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Ficava difícil administrar tantas construções

 

 

Os indesejáveis eram o “exército” do jogo. Eles não existiam para matar ninguém, mas sim para infernizar e causar na vida da outra construtora! Eram eles:

Hippie: Ah os hippies! Sempre na paz e no amor, eram contratados para fazer piquetes e greves nas fábricas alheias. Também podem fazer uma festinha nas casas, para distrair os inquilinos.

 

Ladrão: ladrão é ladrão né? Ele podia roubar dinheiro, recursos, objetos de uma casa e até mesmo armas dos gangsters.

 

Sr. Reparador: Esse era muito bom! Ele acabava com qualquer casa! Podia mexer no encanamento, alagando o bairro inteirinho! Também podia fazer a casa pegar fogo com um curto circuito!

 

Baderneiros: Uma galera, toda boladona, pronta para arrumar uma briga! Eles também podiam fazer uma festinha nas residências e acabar com um cômodo inteiro.

 

Psicopata: Um rapaz, um tanto quanto diferente, que saia quebrando tudo que encontrasse pela frente!

 

Fantasma: Esse era legal também. Com ele, o jogador poderia tomar uma unidade inimiga, assombrar uma casa ou invocar vários zumbis para infernizar um quarteirão todinho!

 

Palhaço: Ele podia tirar um fantasma que estava na residência, hipnotizar um cão de guarda para facilitar o acesso, atrair um peão ou capataz para mata-los ou colocar fogo nas casas inimigas.

 

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Cada um dos “não desejáveis” tinha um menu para o jogador escolher qual ação tomar

 

Depois de tanta coisa, ainda nem pude dissertar sobre como evoluir de verdade os inquilinos, quais as bugigangas que devíamos instalar nas residências (casa de cachorro, janelas contra barulho, saída de emergência, adega…cada uma com uma finalidade), como podemos conquistar residências inimigas…

Constructor é um jogo muito rico e divertido que não vale a pena apenas ler, temos que jogar para sentir a real ideia do jogo. Os gráficos ainda são bons e os efeitos sonoros de primeira! Muitas frases ficam marcadas ao clicar em cada personagem.

O jogo fez certo sucesso na época e foi até lançado para PS1 porém, não chegou a ser realmente famoso. Vou deixar um game play com vocês, para sentir o gostinho. É bom lembrar que é um game de MS-DOS e  Windows incompatíveis com os de hoje em dia. Para rodar essa obra prima, é preciso ter o Dos Box instalado!

5 comentários sobre “Cabine Nostálgica: Constructor

  1. Marc A. Marcos

    Excelente texto – eu compartilho todas essas façanhas que você citou e viveu (e também não consegui completar o jogo – ERA MUITO DIFÍCIL!). Parece que estão lançando um Constructor HD agora que roda nos pcs atuais.

        1. Fernando Cauê Ortiz de Camargo

          Fala Samuel! Bom dia mano!
          Topo sim claro! Só me chamar no FB que participo \o/

          Meu, tente o Constructor. Lógico que nos anos 90. a lógica de jogos era bem diferente e os de estratégia dominavam os pc (hj eles morreram né hauhauah). Eu só não comprei ainda o de PS4 porque ta custando 100 pila e to zerado, mas logo logo vou tentar ele, vi que refizeram os graficos ta bem bonito!

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